Éissaê.
Estava eu, garoto serelepe e vivaz, correndo pela casa. O dia estava com um maravilhoso céu chuvoso, e a minha barriga estava cheia. Como não estar feliz? Como o destino é mais irônico do que se supõe, algo tinha que acontecer pra acabar com isso: então, enfiei o joelho em uma porta. Senti o osso doendo, mas nada que fosse insuportável, e continuei a andar. Ao reparar em mim mesmo (sim, precisa de atenção pra isso; ninguém presta atenção em algo o tempo todo, nem em si mesmo) percebi que estava mancando. Porquê? Oras, bati meu joelho, então ele deveria estar doendo. Logo, para evitar a dor eu teria que mancar, a fim de não forçar o local lesado. É simplesmente natural que eu esteja mancando. Estranho, ainda assim algo em mim não concordava com esse raciocínio; afinal, eu não estava sentindo dor. Foi aí, então, que percebi que estava doendo, de fato, mas, por não dar atenção à dor, era como se ela não existisse. Isso me intrigou de tal forma, que passei uma eternidade pensando, e quinze (eternos) minutos depois me veio uma conclusão: o que tomamos por normal, nesse caso, é apenas mais um indício da idiotice inerente à raça humana. Segue, pois, o raciocínio: o joelho doía, então ele era prioridade no momento. Algo que deveria ser solucionado o mais rápido possível, pois me era desagradavel. Então, normalmente, eu deveria desviar minha atenção da alegria para a dor. Eu estava condicionado a fazer isso, mesmo sem pensar, um reflexo. Conclui-se, a partir disso, que nós colocamos nossa atenção no que nos faz mal, ao invés de coloca-la no que nos faz bem. Ao não seguir essa rotina, ao ignorar a dor, ela passou a não existir pra mim; logo, algo só existe se for-lhe atribuída importância. Juntando ambas conclusões, percebe-se o quanto somos idiotas: atribuimos existência ao que nos faz mal, e relegamos a segundo plano aquilo que nos é precioso. Lógica invertida, instinto ou burrice? Na verdade, essa questão não é importante. O que importa mesmo é saber dar importância ao que merece.... Do contrário, só se cria infelicidade, pois a realidade privada vai ser constituida de coisas desagradáveis, e tudo vai ser culpa do pobre diabo que luta contra suas correntes, apertando-as cada vez mais, ao invés de simplesmente relaxar e deixa-las escorregar. Horray àqueles que me são importantes. Guardo-os no coração.
sexta-feira, 27 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
Filosofia de chuveiro
Lá estava eu, tomando banho a tarde, e divagando insconscientemente enquanto a água descia por meu corpo. Geralmente as pessoas cantam no chuveiro, mas eu nunca tenho atenção suficiente pra cantar uma música inteira, então prefiro ficar pensando.
"Se eu quiser me tornar uma pessoa melhor, tenho que aperfeiçoar; pra fazer isso, no entanto, tenho que me afastar dos outros, e pensar mais em mim, e isso é egoísmo. Se eu me tornar egoísta, então, terei me tornado melhor?
Não; a iluminação é o ápice individual, mas o que adianta estar no topo se não tem compania? A iluminação coletiva é o objetivo mais louvável; mas como ajudar os outros quando se é egoísta?"
Diante do dilema, so me restou pensar mais ainda. Mas a preguiça bate forte, e eu não tô afim de apresentar minhas conclusões agora. Quem sabe mais tarde?
Pois é, se você nunca pensou nisso tá na hora de começar. Ou não. It's your call.
"Se eu quiser me tornar uma pessoa melhor, tenho que aperfeiçoar; pra fazer isso, no entanto, tenho que me afastar dos outros, e pensar mais em mim, e isso é egoísmo. Se eu me tornar egoísta, então, terei me tornado melhor?
Não; a iluminação é o ápice individual, mas o que adianta estar no topo se não tem compania? A iluminação coletiva é o objetivo mais louvável; mas como ajudar os outros quando se é egoísta?"
Diante do dilema, so me restou pensar mais ainda. Mas a preguiça bate forte, e eu não tô afim de apresentar minhas conclusões agora. Quem sabe mais tarde?
Pois é, se você nunca pensou nisso tá na hora de começar. Ou não. It's your call.
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