sexta-feira, 27 de março de 2009

Nadadeformataçãobonitinhasóbaboseirassoltas

Éissaê.

Estava eu, garoto serelepe e vivaz, correndo pela casa. O dia estava com um maravilhoso céu chuvoso, e a minha barriga estava cheia. Como não estar feliz? Como o destino é mais irônico do que se supõe, algo tinha que acontecer pra acabar com isso: então, enfiei o joelho em uma porta. Senti o osso doendo, mas nada que fosse insuportável, e continuei a andar. Ao reparar em mim mesmo (sim, precisa de atenção pra isso; ninguém presta atenção em algo o tempo todo, nem em si mesmo) percebi que estava mancando. Porquê? Oras, bati meu joelho, então ele deveria estar doendo. Logo, para evitar a dor eu teria que mancar, a fim de não forçar o local lesado. É simplesmente natural que eu esteja mancando. Estranho, ainda assim algo em mim não concordava com esse raciocínio; afinal, eu não estava sentindo dor. Foi aí, então, que percebi que estava doendo, de fato, mas, por não dar atenção à dor, era como se ela não existisse. Isso me intrigou de tal forma, que passei uma eternidade pensando, e quinze (eternos) minutos depois me veio uma conclusão: o que tomamos por normal, nesse caso, é apenas mais um indício da idiotice inerente à raça humana. Segue, pois, o raciocínio: o joelho doía, então ele era prioridade no momento. Algo que deveria ser solucionado o mais rápido possível, pois me era desagradavel. Então, normalmente, eu deveria desviar minha atenção da alegria para a dor. Eu estava condicionado a fazer isso, mesmo sem pensar, um reflexo. Conclui-se, a partir disso, que nós colocamos nossa atenção no que nos faz mal, ao invés de coloca-la no que nos faz bem. Ao não seguir essa rotina, ao ignorar a dor, ela passou a não existir pra mim; logo, algo só existe se for-lhe atribuída importância. Juntando ambas conclusões, percebe-se o quanto somos idiotas: atribuimos existência ao que nos faz mal, e relegamos a segundo plano aquilo que nos é precioso. Lógica invertida, instinto ou burrice? Na verdade, essa questão não é importante. O que importa mesmo é saber dar importância ao que merece.... Do contrário, só se cria infelicidade, pois a realidade privada vai ser constituida de coisas desagradáveis, e tudo vai ser culpa do pobre diabo que luta contra suas correntes, apertando-as cada vez mais, ao invés de simplesmente relaxar e deixa-las escorregar. Horray àqueles que me são importantes. Guardo-os no coração.

Um comentário:

  1. Entretanto, deve-se lembrar que quando se treina para ignorar o ruim, repete-se ele na mente. "Não posso pensar nisso, não posso pensar nisso, não posso pensar nisso" E o tempo todo se está pensando nisso.

    Então pense na alegria, ao invés de não pensar na tristeza. E que seja algo natural, posto que só virá com o tempo.

    Hail, irmão.

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